Feminicídio tira vidas no Cariri

Em uma semana, onde mulheres da América do Sul foram as ruas pedir o fim do Feminicídio, Juazeiro do Norte tem mais um crime brutal aumentando os tristes números de morte de mulheres vítimas da violência na nossa região. Na madrugada deste domingo, dia 23, Cilene Damião da Silva de 35 anos, deixou uma amiga em casa e ao chegar em sua residencia foi morta a golpes de faca. O suspeito é seu ex-companheiro que encontra-se foragido

feminicidioVerônica Carvalho, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher Cratense, afirma que as mortes de mulheres na região do Cariri tornou-se uma questão cultural criada pela sociedade machista. “Por isso, existem movimentos, instituições e conselhos para fazer um trabalho contra esta construção machista que tem como alicerce o patriarcado”, afirma Verônica.

Segundo registros do Conselho, em 2015, foram 14 mulheres assassinadas no Cariri. E entre janeiro de 2005 e janeiro de 2015 o número relata 186 vitimas, em sua maioria ocasionadas por seus companheiros.

feminicidios-dfEm 8 de outubro a argentina Lúcia Peres, de 16 anos, foi drogada, violada e empalada na cidade costeira de Mar del Plata, na Argentina. Depois de abusarem sexualmente dela até à morte, os assassinos lavaram o corpo e trocaram-lhe a roupa. Levaram-na até ao centro de saúde e disseram que a jovem tinha sofrido uma overdose. Os médicos não conseguiram reanimá-la.

Esta é a reconstrução, feita pela acusação, de um dos femicídios mais selvagens registados na Argentina e que levou ao apelo à greve das mulheres e a uma manifestação de repúdio que aconteceu na última quarta-feira.

O Portal Feminicídio no Brasil afirma que a cada meia hora uma mulher é assassinada no nosso país, por um homem apenas por ser mulher.

É a esse crime que dá-se o nome de feminicídio, tradução de femicide (femicídio) mais usada na América Latina. O termo passou a ser reconhecido principalmente em março desse ano, com a sanção da lei que o tornou uma qualificadora do homicídio, mas ainda é pouco discutido fora de círculos especializados, como os do Direito e da militância feminista, onde surgiu originalmente. Estima-se que, entre 2001 e 2011, tenham ocorrido mais de 50 mil homicídios motivados por misoginia: isso torna o Brasil o sétimo país que mais mata mulheres no mundo. Os números chocam e causam questionamento, e embora não haja uma origem única, podemos buscar respostas em nossa história: “Desde que fomos descobertos, tivemos a presença dos portugueses, que tentaram escravizar os índios e não conseguiram.

violencia-contra-mulherDepois trouxeram os negros da África, que foram submetidos – as mulheres negras tinham que obedecer ou apanhar”, contextualiza a delegada Vilma Alves, de Teresina. “Segue-se os cafezais e seus senhores, sempre com o poder macho, o açúcar e os senhores de engenho, e a época dos grandes comerciantes, sempre o poder do homem ligado ao poder financeiro. Nessa época, o homem era dono da mulher ao casar, podia bater, surrar, até matar sem consequências. O machismo está arraigado na nossa cultura, onde o homem teve o poder durante toda nossa história”. A herança deste passado se reflete nos dados atuais da pesquisa realizada em 2012 pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), que mostra que as mulheres negras representam 61% das vítimas de feminicídios no país. Stela Meneghel, pós-doutora em medicina de Porto Alegre com especialização em saúde pública e gênero e professora da UFRS, também relaciona essa violência, que tem como objetivo controlar as mulheres, com processos de colonização.

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